Desafio Literário 2010 - Novembro: A Cidade e as Serras – Eça de Queirós

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Desafio Literário 2010 - Novembro
TEMA: Escritores Portugueses
 A Cidade e as Serras – Eça de Queirós

O Desafio Literário desse mês foi ler um escritor português. Para cumprir com a leitura do mês, eu escolhi um livro de Eça de Queiros que há muito tempo tinha vontade de ler: A Cidade e as Serras. Na verdade, eu me arrisquei nessa escolha. Ler Eça de Queirós é sempre um desafio para mim. Sempre que eu começo a ler uma de suas obras, logo abandono. Foi assim com Os Maias, e com O primo Basílio, que li por causa do vestibular, e detestei. Enfim, eu tenho um sério problema com Eça! Contudo, A Cidade e as Serras foi uma supresa. A leitura não  foi tão simples, mas é um romance realista inteligente, elaborada e bacana.

A narração na primeira pessoa é feita por José Fernandes, um personagem-narrador que coloca como foco da história Jacinto de Tormes, nosso personagem protagonista. Denunciando e ironizando os males da modernização e o progresso que tomavam conta das cidades, Eça contrapõe esses avanços com as Serras, valorizando a natureza e a tradição de Portugal. É na figura de Jacinto de Tormes, criado na grande e moviventada Paris, filho de fidalgos portugueses, que viveu cercado por de artifícios da civilização, das comodidades que o progresso tecnológico oferece, que explora as diferenças dos valores e da vida no campo e da cidade. A história relata a saída de Jacinto, da cidade de Paris, onde se encontra entediado, para as Serras portuguesas, onde há propriedades de sua família.

A narração começa nos apresentando o gordo avô de Jacinto, o D. Galeão, que apoiava D. Miguel (irmão do nosso D. Pedro I) no reino de Portugal. Após uma guerra civil (1832-1834) que destronou D. Miguel, Galeão se muda para Paris com sua esposa e filho, e lá permanece no 202 dos Campos Elíseos, casa que seria conhecida e prestigiada por graças ao seu neto. O filho de Galeão, Cintinho, também se casa com a filha de um desembargador em Paris, gerando assim o protagonista dessa história

Jacinto, desde pequeno, é conhecido por sua inteligência, perspicácia e capacidades. É conhecido entre seus amigos como “Príncipe da Grã-Ventura”, por ser um jovem feliz, sotudo, por seus jeito aprumado, bem vestido e tratado, um representante dos valores de civilização e progresso que tanto defendia.

José Fernandes, narrador e amigo de Jacinto, retorna a Paris e é convidado a se hospedar na casa do amigo. Assim começa a observar melhor as atividades de Jacinto, se espantando com o progresso da cidade grande. Contudo, ela começa a observar que Jacinto está ficando amuado e entediado com tudo aquilo que o cerca. Que a “fartura” com que vive na cidade grande o está deixando daquele jeito. A José Fernandes começa a mostrar ao amigo que a cidade é uma grande desilusão, uma prisão. José Fernandes influencia Jacinto a ir para o campo.

Vivendo no campo, no entanto, não deixa de ser um homem que valoriza o progresso e beneficio e conforto de seu uso, os aplicando e modernizando no campo. Desta maneira, Eça de Queiroz mostra o “novo homem português” que emerge em seu tempo.

Particularmente, eu tinha um certo interesse acadêmico em As Cidades e as Serras, por causa da visão entre cidade e campo que é explorado na obra e que tem a ver com a minha pesquisa. Por vezes, a história pode se tornar um pouco cansativa de tanto que o narrador filosofa. Os personagens são simpático e a história tem um certo humor.

A cidade e as Serras é um romance originalmente publicado em 1901. Eu recomendaria para quem gosta de Eça de Queiros (o que não é meu caso) ou da literatura portuguesa clássica. Eu gostei do livro, mas enfatizo que foi um desafio e o cumpri!

Saiba mais do desafio e sobre as outras resenhas aqui! ^.~




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6 comentários:

Lu disse... [Reply]

ei Beli, adorei o visual novo do blog. ^^

Eu não conhecia esse livro, mas achei a capa engraçadinha.
Não curto histórias assim. =/
Mas quem sabe um dia eu pego para ler né?
beijos. ^^

Celsina disse... [Reply]

Super fofo o novo visu =D
Estava com saudade de ler resenhas de livro nesse gênero, utimamente só vejo ya books =p

Legal a dica!
Beijos!

Kézia Lôbo disse... [Reply]

SO li apenas um livro do Eça, e gostei bastante, quero ler OS Maias. MAs esse eu não conhecia!

Daniela disse... [Reply]

Nunca li nada de Eça de Queiróz, sempre tive certo receio,mas tua resenha me fez ficar com uma vontadezinha...

Beijos

Vivi disse... [Reply]

Se tem divagações filosóficas, é comigo! Amo narrativas do tipo. Creio que irei gostar.
Beijocas

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