O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë

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O Morro dos Ventos Uivantes 
Emily Brontë


BRONTE, Emily. O Morro dos Ventos Uivantes. Tradução de Ana Maria Chaves. São Paulo: Lua de Papel, 2009, p. 292.

Título Original: Wuthering Heights
Autor: Brontë, Emily
Editora: Lua de Papel
Categoria: Literatura Estrangeira / Romance
Edição : 1 / 2009
Número de Paginas : 292

      Uma obra-prima da literatura inglesa, “O Morro dos Ventos Uivantes” foi escrito em 1847 por Emily Brontë. O único romance escrito pela autora, foi alvo de diversas críticas, todavia, já no século XX, foi considerado uma das grandes obras clássicas inglesas. Um romance intenso, trágico e sombrio, mas fascinante pela história de amor que se desenrola e pelo desfecho inusitado. Esse livro me arrepiou, mexeu com meu animo e com minha mente de uma maneira que me surpreendeu.
     Emily Jane Brontë nasceu no dia 30 de julho de 1818, em Thornton, Yorkshire. É a quinta dos seis filhos de Patrick Brontë e Maria Branwell, e irmã de Charlotte Brontë e Anne Brontë, também escritoras da clássica literatura inglesa. Foi uma escritora e poetisa britânica, escrevendo sob o pseudônimo masculino Ellis Bell. Morreu com apenas 30 anos, em Haworth, 19 de dezembro de 1848, de tuberculose, não usufruindo do sucesso de seu único romance.
     O romance conta a história de amor gerada a partir de uma paixão devastadora e intensa entre dois amigos de infância, Heathchiff e Catherine, que viviam na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes, e são separados por diversos empecilhos, infortúnios, enganos e escolhas infelizes, condenando a ambos a um destino cheio de desventura. Contudo, o amor deles prova ser mais forte do que qualquer tormenta, do que o próprio destino, superando até mesmo a morte.
      A história começa no presente de 1801, no qual o sr. Lockwood está fugindo das agitações da cidade de Londres e buscando um pouco de isolamento na região dos Morros dos Ventos Uivantes, alugando a Granja dos Tordos, em Gimmenton (Thrushcross Grange) e se tornando inquilino de Heathchiff. Após passar uma situação nem um pouco amigavél e recepitiva na casa do Morro dos Ventos Uivantes, uma noite sombria, gelada e cheia de mistérios e conhecendo o gênio hostil de seus moradores, Lockwood fica isolado e doente na Granja dos Tordos. Enquanto se recuperava da doença, ele conhece Ellen Dean, a doce e velha governanta da casa, que viveu e assistiu toda a tragétória de amor entre Heathcliff e Catherine. Nelly, como era chamada, conta toda a intensa história para Lockwood. Assim, nós somos levados pela história a partir da narrativa na primeira pessoa do sr. Lockwood e da Ellen Dean.
      Após uma longa viagem, o sr. Earnshaw, pai de Catherine e Hindley Earnshaw e do da fazenda Morro dos Ventos Uivantes, resolve trazer para casa consigo um menino orfão. Abandonado e sujo, e como ninguém conhecia sua verdadeira origem, se referiam a ele apenas pelo nome de Heathcliff, sem sobrenomes. No início, ninguém gosta muito da idéia de ter esse menino por perto, principalmente Hindley, ciumento, o destrata com crueldade. Contudo, o patriarca da família Earnshaw tem uma afeição especial por Heathcliff. Logo também surge uma amizade profunda entre Catherine e Heathcliff, que é fortalecida pelo tempo.
      Na vizinhança, há a Granja dos Tordos, onde vive a rica família Linton. As crianças Edgar e Isabella Linton fazem amizade com Catherine, contudo Heathcliff é deixado de lado pelos preconceito dos irmãos Linton. Desde então, só vai crescer o ódio Heathcliff pela família Linton, principalmente por Edgar Linton, que se mostra afeições por Catherine.
       Após a morte do sr. Earnshaw, Hindley já adulto e casado toma o controle dos negócios da família e afasta Heathcliff da casa e de Catherine. Ela é uma menina orgulhosa e caprichosa, e já na adolescencia tinha um gênio forte e ousado. Ainda mantendo relações e brincadeiras com Heathcliff, seus sentimentos por ele são cada vez mais fortes, contudo sua arrogância e caprichos superam o amor que sente por Heathcliff nas suas escolhas. Por superficialidades, ela prefere se envolver e se casar com Edgar Linton, uma homem amável e de princípios que ama Catherine. Contudo, Hearthcliff, ao saber do noivado de sua amada com o seu rival e ao saber os motivos que levam Catherine a tal intento, parte do Morro dos Ventos Uivantes, deixando Catherine arrasada e só voltará anos depois, rico e vingativo.
      Hearthcliff volta depois de 3 anos, misteriosamente rico, com ódio e sede de vingança por todos aqueles que considera culpado pelos seus sofrimentos e por ter sido privado de ficar com Catherine, que está casada com Edgar. Ao saber da volta de Heathcliff, Catherine fica feliz em rever o amigo de infância e amado. Contudo, as disputas e hostilidades entre seu marido e Hearthcliff, que por motivos egoístas e vingativos se envolve com Isabella Linton, destroem os animo de Catherine, a deixando desabilitada mental e fisicamente. Fica doente e morre após dar a luz à sua única filha. Antes de morrer, porém, ela tem um encontro emocionante com Heathcliff (É o momento mais emocionante do romace)
       Transtornado com a morte de Catherine, Hearthcliff incendeia ainda mais seus planos de vingança e seu ódio, o levando a beira da loucura e a atos de crueldade, chegando a destruir a si mesmo e a todos que estão ao redor, o desprovendo de feições humanas na visão de outros e atríbuindo a eles atos diabólico. O principal alvo de sua vingança é Hindley Earnshaw e Edgar Linton, contudo seus atos vingativos recaem também sobre seus descendentes e busca de todos os meios destituí-los de seus bens e posses.
       Hearthcliff é uma personagem com um amor obsessivo, sombrio, mal-humorado atormentado e vingativo. Uma personalidade tão intensa e com sentimentos tão devastadores que o destrói, o deixando na solidão e na amargura. Catherine é uma personagem complexa, que ama Hearthcliff com a mesma força do amor dele. Contudo, não o achando digno de ser seu marido por não ter os recursos necessários para sustentá-la, se engana e faz a escolha que vai condenar o amor dos dois a desventuras. Acho que é por isso que Hearthcliff volta tão imponente, forte e rico, para mostrar e provar, de alguma forma, a amada quem ele poderia ser. No fundo, os dois amantes são iguais, suas personalidades muito parecidas. Um se vê no outro, aponto de deixar esse amor obsessivo muito mais forte.
      O desenrolar da história é envolvente e o desfecho é surpreendente. Apesar de ser uma história dramática, trágica e sombria, ela é intensa, envolvente e fascinante.
       Não tenho palavras para descrever todo o “reboliço” mental, físico e espitual que essa obra me causou. Há muito tempo um livro não mexia tanto comigo e com os meus sentidos. Chorei e fiquei agitada nos momentos mais intensos do romance. Eu tive noites que mal conseguia dormir, de tanta agitação que me causou, fato esse que me surpeendeu. Uma história bem contada e bem estruturada, que te prende do começo ao fim. Uma história triste, intensa e incrível que faz você refletir sobre escolhas, esgoismos, orgulhos e sobre até que ponto elas podem ir. É também uma representação de uma história de amor que nunca morre, e que supera destinos e a própria morte.
      Está em primeiro lugar entre os meus favoritos... Trágico, intenso, surpreendente e fascinante!!!


Trecho do livro O Morro dos Ventos Uivantes:


Não falou nem a soltou por uns cinco minutos, tempo durante o qual deu mais beijos do que já dera em toda a sua vida, e me atrevo a dizer que, embora a minha patroa o tivesse beijado primeiro, pude com clareza ver que ele mal podia suportar, por inequívoca angústia, olhá-la de frente! Assim que a abraçou, constrangeu-o também a mesma convicção que me ferira, de que não havia perspectiva de ela recuperar-se por completo... sem dúvida estava condenada a morrer.
- Oh, Cathy! Oh, minha vida! Como posso suportar isso? - foi a primeira frase que ele disse, num tom que não procurava disfarçar-lhe o desespero. E olhou-a com tamanha paixão, que pensei que tal intensidade lhe provocaria lágrimas. Mas os seus olhos ardiam de angústia... não transbordaram.
(...)
Um movimento de Catherine aliviou-me um pouco: ela levantara a mão para enlaçar o pescoço de Heathcliff, que a segurava nos braços, e para aproximar-lhe o rosto do seu, enquanto ele, por sua vez, cobrindo-a com frenéticas carícias, disse com selvajaria:
- Agora mostrou o quanto tem sido cruel... cruel e falsa. Por que me desprezou? Por que traiu o seu próprio coração, Cathy? Não tenho nenhuma palavra de consolo. Fez por merecê-lo. Matou a si mesma. Sim, pode beijar-me e chorar, arrancar-me beijos e lágrimas que irão arruiná-la... irão amaldiçoá-la. Amou-me... então, que direito tinha de abandonar-me? Que direito, responda-me... em troca de pobres caprichos que nutria por Linton? Porque nem a miséria, a degradação, a morte, nem nada que Deus ou Satanás pudesse infligir nos teria separado, mas você, de livre e espontânea vontade, o fez. Não parti o seu coração: você mesma o partiu; e, fazendo isso, partiu também o meu. Tanto pior para mim, que sou forte. Será que quero continuar a viver? Que tipo de vida terei quando você... Oh, Deus! Você gostaria de viver com a alma presa a uma sepultura?
- Deixe-me me paz, deixe-me em paz - soluçou Catherine. - Se lhe fiz algo errado, vou morrer por isso. Já chega! Também me abandonou, mas não o repreenderei por isso! Eu lhe perdôo. Perdoe-me também!
- É difícil perdoar, e olhar para esses olhos e sentir essas mãos esquálidas - respondeu. - Beije-me outra vez, e não me deixe ver os seus olhos! Perdôo-lhe tudo o que me fez. Amo a minha assassina... mas à sua, como eu poderia perdoar?
Calaram-se, as faces ocultas, banhando-se mutuamente de lágrimas. Tive a impressão de que ambos estavam aos prantos, pois parecia que Heathcliff era capaz de chorar numa ocasião como aquela."

O livro foi diversas vezes adaptado para o cinema. Existe também uma canção de grande sucesso, composta e interpretada por Kate Bush, no final da década de 70. Tem uma versão brasileira interpretada pela banda Angra, em 1997, no albúm Angels Cry. Recentemente, a música foi reinterpretada por  Hayley Westenra. Confira abaixo essa canção na voz de Hayley Westenra: 



*As imagens retirei aleatoriamente da internet. O retrato de Emily Brontë foi feito por seu irmão Branwell Brontë.
** O trecho que escolhi para por aqui se encontra nas páginas: 135-139.
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3 comentários:

Snaga disse... [Reply]

Olá, Isabeli!

Primeiramente, agradeço sua visita e seus elogios ao Covil. Obrigado mesmo! Espero que volte mais vezes.

Quanto ao Morro, é realmente um livro fantástico. Mesmo assim tive uma visão um pouco diferente da sua. Não vi quase nada de amor no decorrer do livro, apenas uma obsessão, ganância e rancôr.

A relação de Heathcliff com Catherine, pelo menos pra mim, se mostrou como um amor inocente apenas no início da história. Após ser esnobado por Chathy, Heathcliff já não buscava amor puramente, mas sim se impôr. Passou a ser um sentimento bem mais egoísta; algo do tipo: "você me esnobou, mas agora veja como eu tenho poder!"

E, claro, um bocado de loucura tmabém!

E agora vou passar um pouco pelo seu blog. Até mais.

Iris disse... [Reply]

Eu tenho vontade de ler esse livro, mas ainda não dei a chance dele. HAHA
:*

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